DIÁRIO de bordo de um Safári Fotográfico ao ÁRTICO

DIÁRIO de bordo de um Safári Fotográfico ao ÁRTICO

POR DINA BARILE, em 14/08/2013

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Há muito tempo eu sonhava em ver os ursos polares e as morsas bem de perto em terras árticas, mas parecia impossível organizar uma viagem dessas para um local tão longínquo.
Até que viajei no navio Ocean Nova, para a  Antártida e descobri que o mesmo navio cruzava o mundo para chegar ao Ártico e realizar suas expedições por lá.
Se um navio desse porte vai navegando para chegar tão longe, porque eu não poderia alcancá-lo, de avião?
Em poucos meses, consegui planejar tudo e, no mesmo ano, visitar a Antártida e o Ártico no mesmo navio e com o mesmo capitão, Alexey Zakalashnyuk
Minha viagem ao Ártico começou em Oslo.
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Já senti o clima, indo a um bar de gelo muito interessante.

Tudo no ICE BAR é de gelo, inclusive os copos. Impossível segurar o copo sem luvas adequadas. Aliás, sem roupas adequadas.
Na entrada é imperativo colocar roupas que mantém seu corpo aquecido.
Para isso eles desenvolveram um manto que tem a tecnologia para tal. Botas bem quentinhas e luvas super quentinhas.
Tomei um drinque num copo de gelo, já me imaginando no Ártico.
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De Oslo, voei para Longyearbyen, uma pequena cidade universitária e científica, onde o transporte pode ser realizado em carroças puxadas por cães de neve (foto à esquerda).

Visitamos o museu local, onde se aprende muito sobre a natureza e a história de Svalbard, a ilha que tentaríamos explorar nos próximos dias, a bordo do navio Ocean Nova, nossa casa pelo mesmo período.

AQUI COMEÇA A NOSSA EXPEDIÇÃO PELO ÁRTICO

10 de junho de 2013 – Longyearbyen 
Posição do navio: 78° 13N 15° 37 E
Céu: Nublado, temperatura 2°C

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O nosso guia líder chamava-se Henrik, que nos recepcionou com palestras educativas e que apresentou toda a tripulação e o capitão, o mesmo da minha segunda viagem à Antártida no mesmo barco, o Ocean Nova, que eu também conhecia muito bem.
Devidamente embarcados (foto à esquerda, embarcando no Ocean Nova, representado pela agência Polar Quest) e acomodados nas cabines, pudemos saborear o jantar delicioso e descansar para as aventuras do dia seguinte.

O título desta reportagem se deve ao objetivo de todos os tripulantes e do capitão que era realmente fazer um safári marítimo fotográfico. Os alvos de nossas máquinas fotográficas, seriam ursos, focas, morsas e baleias.
Na foto ao lado, estou pronta para começar a viagem, arrasando na minha charmosa galocha da CROCS

Delicie-se com este diário de bordo, dia a dia.


11 de junho de 2013

Posição do navio: 78° 07N 11° 50 E
Céu: agradável e calmo, com nuvens baixas, 5°C
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O próximo dia foi recheado de surpresas.

Então pudemos fazer a nossa primeira expedição nos barcos Zodiac, de borracha, resistentes, usando boas galochas.

Mas ainda não foi neste dia que pisamos em terras árticas.

Ficamos passeando de Zodiac ao redor dos penhascos, observando ninhos de gansos, gaivotas, e, para mim, a ave mais bonita do mar, os puffins, que são também conhecidos como papagaios do mar.

São cativantes e tem um bico laranja com amarelo, com vermelho que se vê ao longe (foto à direita).
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A nossa próxima parada foi no Glacial 14  de julho, onde ficamos nos distraindo com uma foca barbada (foto à esquerda),  enquanto pedaços do glaciar caiam bem perto de nós formando ondas imensas.
Foi emocionante e com um gostinho de perigo.
Num intervalo, enquanto descansamos no lounge bar, vimos quatro Baleias Beluga passando por nós, o que não é muito fácil de observar nessa região.
Em seguida, descemos em Ny-Alesund, para conhecer o pequeno vilarejo e carimbar nosso passaporte com um selo do Ártico.
Depois passeamos pelo local, fizemos compras, visitamos o museu e mandarmos postais do correio no ponto habitado mais ao norte do mundo.

Ao final da tarde, um maravilhoso por do sol em Lilliehöökbreen fechou o nosso primeiro dia de viagem.

12 de junho de 2013
Posição do navio: 79° 43N, 11° 03 E
Céu: Nublado e temperaturas baixas.
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Neste dia todos os nossos planos foram alterados por uma boa causa. Alguém avistou um urso macho e todos embarcamos rapidamente nos Zodiacs e fomos ao seu encontro.
Ele era jovem, muito saudável e bonito e ficou cochilando no gelo até nos aproximarmos. Quando chegamos perto, ele bocejou, levantou, escorregou pela neve e ficou bem próximo de nós, caminhando pelas pedras.
Depois ficamos nos distraindo com algumas focas e, para fechar o dia com chave de ouro, vimos um grupo de walrus, ou morsas.
Como se não bastasse, vimos ao longe, num glaciar um urso fêmea com dois filhotes se alimentando, provavelmente da carne de alguma foca que a mãe caçou. Mas isto só foi possível observar através de um telescópio que foi colocado à nossa disposição no deque.
Que dia!!! Fomos abençoados. Vimos 3 ursos polares adultos, e dois filhotes, além de diversos tipos de aves, dentre gaivotas, mandriões e, finalmente morsas

13 de junho de 2013
Posição do navio: 79° 35N 18° 28 E
Céu: Nublado, com períodos de sol, e uma brisa suave.

O nosso objetivo nesta manhã era alcançar o penhasco mais espetacular do ártico, chamado Alkefjellet, onde aproximadamente duzentas mil gaivotas fazem ninho todo ano.
Muitas aves voando e fazendo a festa, enquanto girávamos nossa cabeça, sem saber para aonde olhar, de tanta diversidade.
Depois dessa pausa, avistamos um urso num pedaço de gelo, dormindo tão placidamente, que foi possível tirar fotos dele, com a própria imagem refletida na água.

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Mais uma dezena delas na água, fazendo a maior festa e nos assustando,

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saindo da água de repente, com aqueles dentões e aquelas cabeças enormes.

Depois de tanta alegria, o capitão nos levou para um churrasco ao ar livre.
Com certeza foi o churrasco mais ao norte de
nossas vidas e também o mais frio deles.
Confesso que eu só aguentei 5 minutos.
Peguei tudo o que eu queria comer e fui saborear tudo escondido na biblioteca até que muitos outros turistas descobriram o truquezinho e me seguiram, para um churrasco ainda bem saboroso, mas abrigado do vento.
14 de junho de 2013
Posição do navio: 80° 22N 18° 18E
Céu: Claro, sem nuvens, sem vento.
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Todos os zodiacs foram para a água e cada um se aventurou para um lado. Uns ficaram cercando e sendo cercados por morsas, outros olhavam para a água para localizar focas e para fotografar os mais diversos nuances de verde e azul e outros se preocupavam com as aves. Ninguém queria voltar para o navio até que chegou a hora do almoço, e a fome falou mais alto.

De lá, fomos para Lomfjorden, onde descemos para apreciar duas colônias de morsas. Encontramos muito mais.

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A tarde foi muito divertida.Vimos um urso procurando caça enquanto seu filhote pulava, corria, nadava, brincava até se sentir seguro.

Quando a mãe se afastava muito, ele corria, se enroscava nas pernas dela até mais uma aventura.
 tempo estava tão lindo que nossas queridas guias Annette e Emma resolveram mergulhar nas gélidas águas árticas.

Foram seguidas por catorze membros da expedição, mas o recorde dentro da água não passou dos quatro segundos.
A sorte deles é que estavam amarrados cuidadosamente pela competente tripulação do navio e eram resgatados antes de congelarem.
Por isso, todos ficaram atônitos quando o cozinheiro se jogou do último deck de roupa e tudo, e de livre e espontânea vontade, sem amarras. Foi um momento singular e único destes destemidos mergulhadores.
15 de junho de 2013
Posição do navio: 79° 36N 12° 42 E
Céu: aberto, com muito sol e nenhum vento.Este dia foi o mais marcante para mim. Avistamos uma rena e pensamos que talvez um urso estivesse espreitando-a. E não é que em alguns minutos um urso e um filhote vieram rolando na neve para se aproximar da rena? Se havia a intenção de caça, algo os fez desistir e lá fomos nós atrás deles, caçando uma boa foto.

Registrei uma sequencia de fotos única, onde o filhote segue placidamente a mãe até que ela resolve ir na água. Ela experimenta a temperatura da água e entra.

Em seguida ela o chama, em vão. O filhote põe a patinha na água e começa a resmungar bem alto, se negando a seguir a mãe.

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articoursomae 1A mãe não desiste até que o filhote entra na água. A mãe segue nadando, sem perceber que o filhote resolve voltar.
Quando ela olha para trás, ele já está de volta. Ela olha severamente e ele resolve obedecer à mãe.
Foi um flagrante da natureza que emocionou a todos e nos fez sentir bem próximos destes animais, com atitudes tão humanas, neste momento, justamente quando estávamos numa exuberante e inóspita região, tão longínqua da nossa terra, da nossa realidade e de qualquer outro ser humano.
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Fiquei extasiada e não consegui parar de falar na cena até que o capitão nos fez enxergar outro alvo: uma baleia franca que ficou se exibindo, uma hora com a corcunda para fora, outra hora com a cauda, em momentos em que devia amamentar sua cria.


16 de junho de 2013 – De volta a
Longyearbyen
Posição do navio: 78° 21N 12° 50E
Céu: Nublado, com vento vindos do sul 5°C
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No nosso último dia de expedição, andamos bastante para tentar encontrar o único animal que queríamos e não havíamos conseguido encontrar: uma raposa polar.

Caminhamos na tundra e acabamos nos distraindo com flores  lindas e de diversos formatos, até alcançarmos um canyon e uma morena.
À tarde, um repentino vento afastou o navio da próxima parada, mas valeu a pena. Fizemos uma caminhada até um penhasco de onde tivemos a sorte de avistar duas raposas polares. No inverno elas são totalmente brancas e no verão são amarronzadas. Quão sábia é a natureza para criar uma camuflagem tão perfeita.
E, por falar em perfeita, o que mais poderíamos desejar desta viagem tão diversa, tão enriquecedora, tão gratificante!
Somente posso agradecer e esperar que o próximo ano chegue logo, pois gostei tanto da tripulação, dos guias e do capitão, que pretendo repetir a dose no próximo ano, desta feita na Groenlândia.
Alguém me acompanha?
Até o próximo ano, meu querido capitão Alexey Zakalashnyuk, da Rússia e meus amados guias:
Henrik Lovendahl, e Morten Jorgensen, da Dinamarca
Ronald Visser, Rinie van Meurs, e Annette Scheepstra, da Holanda
Magnus Forsberg e Emma Johanssom-Karlsson  da Suécia e
Sue Werner da Austrália.
E à querida Carina Svensson, relações públicas da Polar Quest Agência de Viagens, sempre educada e preocupada com o bem estar de todos.
Vejo vocês em breve na Groenlândia
articomapa

QUEM LEVA:
ÁRTICO e GROENLÂNDIA:
Polar Quest Agência de Viagens,
SE-401 23 Göteborg, Suécia
WWW.polar-quest,com / WWW.polarquest.se
telefone: 00-46-31-333 17 30
onde podem procurar a Maria, sempre gentil, atenciosa e responsável pelas reservas, maria@polarquest.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Texto e Fotos: Dina Barile
Consultora de Texto: Annette Scheepstra
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About Dina Barile

Recebi o título de Doutora em Viajologia, depois de viajar por 127 países e pisar em todos os continentes. Sou a primeira e única mulher brasileira a ter estado na ESTRATOSFERA. Experimentei a Culinária de todos os países por onde passei. Expert nos temas Turismo, Gastronomia e Beleza, convido todos os leitores para um Passeio Turístico e Gastronômico por todos os Continentes.

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