Saiba tudo sobre “A Força do Querer”

Se existe algo comum a todo ser humano é que temos sonhos, desejos, quereres. Pode ser relacionado a amor, dinheiro, sucesso, identidade, poder, realização profissional. Enfim, os quereres são múltiplos e interagem entre si nesse grande painel da convivência humana, harmonizando-se ou chocando-se uns com os outros. Movidos pelo querer, somos o tempo todo desafiados a fazer escolhas. Escolhas que nos fazem bem ou que se voltam contra nós. São questões que nos unem em um mundo em ebulição, no qual as certezas e os valores estão em pleno questionamento. Num tempo em que as distâncias são relativas, a vida de todos é arrebatada por uma enxurrada de informações e surgem novas linguagens, novos modelos e novos códigos.

Na próxima novela das nove, ‘A Força do Querer’, de Gloria Perez, com direção artística de Rogério Gomes, os caminhos de diferentes personagens se cruzam quando suas trajetórias pessoais os levam ao limite, fazendo-os ultrapassar seus horizontes, desafiar barreiras e vencer conflitos. Nesse percurso, a força do querer de um afeta a força do querer do outro, determinando, assim, os rumos inesperados desta história. “Estamos vivendo um tempo em que os quereres são mais fortes. Com o avanço da tecnologia, as pessoas se expressam por conta própria, impõem sua personalidade, sua presença. A novela vai mostrar que quereres são esses e como eles se organizam”, define Gloria Perez. Como é comum em seus trabalhos, a autora vai falar de diversidade, de tolerância e das dificuldades de compreender e aceitar o que é diferente de nós. E através da saga de seus personagens, irá levantar discussões muito presentes no mundo contemporâneo, como a identidade de gênero. “Escrever novela é uma maneira de conversar sobre o que acontece em torno de nós. Quero abordar a dificuldade que as pessoas têm de conviver com a diferença. Tolerância é a palavra-chave deste trabalho”, ressalta.

E, para contar as histórias com uma boa dose de encantamento e magia, ‘A Força do Querer’ traz a riqueza da cultura paraense, a lenda dos botos e das sereias e até a sabedoria da tribo indígena Ashaninka, que vive na fronteira do Acre com o Peru. A novela foi gravada durante um mês na região Norte do país, a maior parte do tempo em Vila de Acajatuba, cenário da fictícia Parazinho, que fica a cerca de uma hora de barco de Manaus. “Passamos seis meses procurando uma locação para gravar Parazinho e encontramos Acajatuba. É um lugar especial, de muita tranquilidade e beleza. O clima da região Norte estará na novela até o final, já que os personagens do Pará se mudam para Portugal Pequeno, em Niterói, levando sua cultura”, explica o diretor artístico Rogério Gomes, que trabalha pela primeira vez com Gloria Perez e acredita que será uma excelente parceria. “A novela trata de temas muito universais, o público irá se identificar”, aposta.

Com estreia para o dia 3 de abril, a próxima novela das nove, ‘A Força do Querer’, de Gloria Perez e direção artística de Rogério Gomes, tem direção geral de Pedro Vasconcelos e direção de Davi Lacerda, Luciana Oliveira, Claudio Boeckel, Roberta Richard e Fábio Strazzer.

Porto de Belém, 15 anos atrás

Eugênio (Dan Stulbach) está no Pará e comanda o embarque de castanha para o Rio de Janeiro, acompanhado pelo filho Ruy (João Gabriel Cardoso / Fiuk)) e o primo Caio (Rodrigo Lombardi). O empresário finalmente tomou coragem para deixar a C.Garcia, poderosa indústria de alimentos, apesar da forte resistência do irmão Eurico (Humberto Martins), com quem administra a empresa desde a morte precoce do pai. Eugênio quer realizar o sonho de seguir a carreira de advogado, que precisou abandonar para assumir os negócios da família. Ele acredita que já cumpriu sua parte na preservação do patrimônio dos Garcia e agora quer cuidar da própria vida. Mas, para realizar essa virada, investe em Caio para ser seu substituto na empresa e leva também o pequeno Ruy em sua última viagem à região Norte. Quer que o menino veja o pai à frente dos negócios que poderá assumir quando mais velho.

Um imprevisto, no entanto, faz com que a viagem seja esticada para o Acre. Eugênio precisa encontrar um fornecedor que está em um local que só se chega de barco. Ele libera o primo, que volta para casa, mas leva Ruy com ele. Acha que será bom para o menino um tempo maior com o pai, apesar de a esposa Joyce (Maria Fernanda Cândido) insistir que Ruy retorne com Caio.

Enquanto isso na Amazônia…

Eugênio (Dan Stulbach) segue viagem pelo rio com o pequeno Ruy (João Gabriel Cardoso / Fiuk), feliz por estar passando mais tempo com o filho e prestes a realizar o sonho de deixar a empresa para trabalhar como advogado. Até que, durante a travessia de barco, é surpreendido por uma tempestade fortíssima, comum na região. As águas começam a ficar agitadas, e escurece rapidamente. Mas, como a embarcação é pequena, Eugênio se preocupa. O barqueiro explica que não existe um lugar próximo para se abrigarem, estão em meio à mata virgem, quase na fronteira com o Peru. Sem sinal de celular para solicitar um resgate, o empresário começa a entrar em pânico.

Enquanto Eugênio e o barqueiro lutam para segurar a embarcação, Ruy, indiferente ao perigo, se debruça e cai no rio, sendo rapidamente levado pela correnteza. Desesperado, Eugênio perde o filho de vista. Zeca (Xande Valois / Marco Pigossi), um garoto da região com a mesma faixa etária de Ruy, corre pela margem e vê o menino em perigo. Na tentativa de ajudar, estende um galho pra Ruy, que se agarra firme. Mas, apesar da força que faz para puxá-lo, Zeca também acaba sendo levado pela correnteza.

Eugênio acredita que perdeu o filho para sempre. E Abel (Tonico Pereira), pai de Zeca, fica aflito com o sumiço do menino. Mas os garotos têm sorte, muita sorte. São encontrados, num estado entre a consciência e a inconsciência, por um índio da tribo Ashaninka (Benki Piyãko), que habita essa região da floresta amazônica. O índio cuida deles usando todo o conhecimento e a sabedoria de sua tribo.

De madrugada, a lua cheia brilha com intensidade e se funde com as águas do rio. Assustados, os meninos olham fixamente para a bela imagem e apertam as mãos. Acabam adormecendo e tendo um mesmo sonho, o que faz com que o índio perceba que eles estarão ligados para sempre pelas águas. Ele, então, faz uma predição: “Se viram tudo igual, é um aviso que o espírito da floresta está mandando. A vida toda vocês tomem cuidado com o que brotar das águas. O que brotar das águas vai juntar vocês dois e separar de novo!”. O Ashaninka parte um fio feito com sementes de açaí e entrega um pedaço a cada um dos meninos, para que nunca se esqueçam do que ele disse.

A esta altura, o índio já mandou avisar no povoado próximo que os rapazes foram encontrados. Numa casa de seringueiro, Eugênio, completamente abatido, reencontra Ruy, custando a acreditar que o filho está vivo. Refeito da emoção e grato pelo milagre, ele parte em seguida para o Rio de Janeiro com seu pequeno. Os dois meninos são levados embora sem nem sequer saber o nome um do outro, mas não se desgrudam do fio, símbolo da sorte inexplicável que tiveram.

Mudança de rumo

Alheio a tudo, Caio (Rodrigo Lombardi) voltou para o Rio de Janeiro e para os braços da noiva Bibi (Juliana Paes), que conheceu na faculdade de Direito e por quem é completamente apaixonado. O problema é que os dois enxergam o amor de forma muito diferente. Bibi não compreende quando o noivo precisa se ausentar por causa do trabalho. Reclama que está indo a todos os eventos sociais sozinha. Caio, amoroso e paciente, tenta convencer a noiva de que está se empenhando pelos dois e que ela poderá trabalhar com ele na empresa quando terminar a faculdade. Juntos formarão uma dupla imbatível. Mas Bibi não pensa em conforto material, no amor tranquilo, tecido na convivência cotidiana, ela quer viver o romance sempre em temperatura máxima, só acredita na adrenalina, na intensidade que hipnotiza e faz com que a pessoa amada seja objeto de todo o desejo e atenção.

Durante uma discussão, Bibi termina o relacionamento alegando falta de paixão. E acaba indo atrás de Rubinho (Emílio Dantas), um estudante de Química que trabalha como garçom, e que conheceu em uma das festas que foi sozinha. Nele encontra a paixão que tanto procurava. E Caio, sem chão com o rompimento, decide se mudar para os Estados Unidos, desistindo de assumir o comando da C.Garcia.

15 anos depois, o reencontro de Caio e Bibi

Depois de 15 anos morando nos Estados Unidos, Caio (Rodrigo Lombardi) decide que é hora de voltar e encarar o que deixou para trás. É muito bem recebido pela família, principalmente pela irmã Heleninha (Totia Meireles) e pelo cunhado Junqueira (João Camargo). Eurico (Humberto Martins), no entanto, nunca engoliu a saída repentina do primo da empresa e chega a ser hostil com ele, mas se segura a pedido da esposa Silvana (Lilia Cabral). Já Eugênio (Dan Stulbach), que teria ainda mais motivos para guardar rancor de Caio, o recebe com o maior carinho, pois admira sua coragem de ter ido embora atrás de um sonho.

Caio se aperfeiçoou bastante no universo do Direito enquanto esteve fora, e voltou ao Brasil para dar aulas na mesma faculdade em que se formou e conheceu Bibi (Juliana Paes). E é num corredor da universidade que o destino volta a cruzar o caminho dos dois. O constrangimento é inevitável. A relação deixou marcas profundas, por mais que eles se recusem a admitir isso para eles mesmos.

Bibi não se arrepende de ter deixado Caio para ficar com Rubinho (Emílio Dantas), mas vive uma fase financeira muito difícil. O marido não consegue emprego e ela sustenta a família com o que ganha trabalhando num salão de beleza. Mesmo assim, se enche de orgulho para dizer a Caio que vive um casamento perfeito, tem ao seu lado um homem cheio de virtudes e apaixonado por ela, e que ainda lhe deu um filho lindo. Com sua família, acredita que irá superar todas as dificuldades.

Caio fica incomodado, mas quer seguir em frente. E sabe que não será nada fácil. A mãe de Bibi, Aurora (Elizangela), procura o advogado após saber que ele e sua filha se reencontraram para pedir ajuda, sem que Bibi saiba. Conta que a filha está para ser despejada e que vai “morar” em um bar com o marido até que a situação se ajeite. Penalizado, Caio decide emprestar um imóvel para a ex-noiva morar com a família, na condição de que Aurora não conte quem a está ajudando.

A casa fica no bairro da Usina, onde Heleninha (Totia Meireles), irmã de Caio, vive com a família num casarão antigo. A princípio, a ajuda do advogado vai melhorar e muito a qualidade da vida de Bibi e sua família. Mas, com o passar do tempo e as escolhas erradas, em nome da paixão por Rubinho, Bibi vai cair no mundo do crime, e Caio, que é movido por ideais éticos e ligado ao mundo da Justiça, viverá um enorme conflito entre sua essência e o amor por essa mulher, que se torna a “Bibi Perigosa”.

Relações delicadas

Quando Eugênio (Dan Stulbach) decide que vai finalmente montar seu escritório de advocacia, a esposa Joyce (Maria Fernanda Cândido) não dá apoio algum. Muito ligada a tudo o que diz respeito à beleza e ao universo feminino, Joyce é sofisticada, tem gostos caros. Teme que o marido não consiga manter o alto padrão de vida da família e também não entende sua busca pela realização profissional. Assim como o irmão de Eugênio, Eurico (Humberto Martins), ela acha que o marido já está velho demais para pensar em mudar de vida.

Enquanto Eugênio tenta que Joyce compartilhe de sua alegria com o projeto do escritório, ele conhece Irene (Débora Falabella), arquiteta indicada pela cunhada Silvana (Lilia Cabral) para fazer a reforma da sala que logo receberá os primeiros clientes. Irene é uma mulher manipuladora, que atropela tudo e qualquer coisa para fazer valer o seu querer. E o seu querer é Eugênio.

Ela joga com todas as armas que tem. Percebe que Eugênio está carente de alguém que entenda o que se passa com ele, que lhe incentive, dê força. Silvana nota a besteira que fez apresentando sua colega de profissão ao cunhado e dá um jeito de assumir o projeto, com o objetivo de afastar os dois. Esforço em vão. Irene está determinada a conquistá-lo, custe o que custar.

Eurico (Humberto Martins) também enfrenta problemas no casamento com Silvana. Os dois se gostam muito, mas ela coloca toda a harmonia da relação a perder com seu vício em jogo. Silvana quer a emoção dos riscos. Eurico, que quer controlar tudo e todos, sabe que a esposa gosta de um carteado com as amigas, mas nem sonha que ela aposta alto em mesas de jogo e que já chegou a perder enormes quantias numa única noite.

Para enganar o marido e sair para jogar, a arquiteta lança mão das maiores mentiras, chegando até a envolver a filha dos dois, Simone (Juliana Paiva), e sempre acaba se enrolando. Silvana vai se envolvendo numa teia de mentiras e a situação só não se complica ainda mais porque sua empregada e fiel escudeira Dita (Karla Karenina) está sempre lhe ajudando e acobertando suas confusões. Com o passar do tempo, o vício de Silvana irá levá-la a situações bem mais arriscadas e comprometedoras.

Já Heleninha (Totia Meireles), irmã de Caio (Rodrigo Lombardi) e prima de Eugênio e Eurico, vive um casamento morno com Junqueira (João Camargo), e se aflige com o comportamento do filho Yuri (Adriano Alves). O garoto só fala com os pais via mensagem de celular. Mesmo as coisas mais simples, como pedir um sanduíche no café da manhã. E ainda é adepto do Cosplay. A vida em família e a dificuldade com esses novos códigos resulta em um grande conflito de gerações.

Heleninha e Caio estão há muitos anos sem ver o pai, Garcia (Othon Bastos), tio de Eugênio e Eurico. Um homem excêntrico, bon vivant, do tipo que vive sem preocupações, e se comunica com os parentes através de cartões postais que envia sempre de algum lugar do mundo. Mas Garcia reaparece de uma hora para outra e volta a viver no casarão da família. Ele acaba reencontrando Elvira (Betty Faria), uma antiga paixão que não foi adiante por conta do temperamento forte de ambos. No reencontro, vão constatar que os anos não transformaram nem um nem outro.

A profecia do índio Ashaninka se cumpre

Nas águas de Parazinho, cidade fictícia no interior do Pará, os caminhos de Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) voltam a se cruzar. Zeca se mudou para a cidade com o pai, Abel (Tonico Pereira), depois do acidente no rio, e Ruy vai ao local em viagem com Eugênio (Dan Stulbach). Agora, Eugênio prepara Ruy para assumir seu posto e os dois seguem de barco do porto de Belém até Parazinho com o objetivo de negociar com um fornecedor.

Zeca caminha pela margem do rio, com o fio Ashaninka amarrado no pulso. Já Ruy, dentro da embarcação, observa os botos nadando, até que surge uma bela moça, de cabelos compridos, brincando entre os animais. “O que brotar das águas vai juntar vocês dois e separar de novo!”, dizia a profecia do índio, que aqui começa a se cumprir. A moça é Ritinha (Isis Valverde), namorada de Zeca, que também a observa encantado do outro lado da margem.

O encanto da sereia

Zeca (Marco Pigossi) é rude, passional, mas tem um coração enorme. Adora a vida pacata de Parazinho e a profissão de caminhoneiro. Tem no veículo o seu grande xodó, ama pegar a estrada, e a felicidade se completa quando ele volta para a sua cidade e encontra Ritinha (Isis Valverde), sempre alegre e faceira à sua espera. Tudo o que Zeca quer é se casar com ela e viver em Parazinho. Mas a jovem, fascinada desde pequena pelas águas do rio, tem o poder de encantar e seduzir as pessoas, assim como as sereias. Isso é instintivo nela. Ritinha também vive a euforia da juventude. Quer experimentar de tudo, conhecer outros lugares, aproveitar o que a vida tem para oferecer.

Os avisos insistentes do pai, Abel (Tonico Pereira), criticando a postura e a natureza de Ritinha, não abalam Zeca. Para ele, o amor imenso que sente pela namorada fala mais alto do que tudo. Mais alto do que a razão.

Ritinha conhece Ruy (Fiuk) e se encanta por aquele “estrangeiro”. O jovem da alta sociedade carioca está noivo de Cibele (Bruna Linzmeyer) e também fica fascinado por aquela mulher que ele vê nadando com os botos e que parece uma sereia. Ele quer Ritinha de qualquer maneira. Mas não pretende abrir mão do noivado e da vida organizada que leva no Rio de Janeiro.

Apesar de gostar muito de Zeca (Marco Pigossi), Ritinha (Isis Valverde) adora a atenção de Ruy (Fiuk). Ele a faz se sentir desejada e ela vibra com o fascínio que exerce sobre os homens. Sabe como ninguém atiçar e manter aceso o desejo do forasteiro, mas sem se entregar a ele. Afoito para continuar até o fim as explosões de desejo sempre interrompidas, Ruy faz promessas irresponsáveis. Quando vê a moça implorando que Zeca a leve com ele em uma viagem de trabalho até a capital fluminense, promete levar Ritinha ao Rio. Situação, aliás, armada pelo próprio Ruy para afastar o caminhoneiro da cidade. Ritinha, então, prepara sua fuga, com ajuda da melhor amiga e confidente Marilda (Dandara Mariana), que despista a atenção de sua mãe, Edinalva (Zezé Polessa). Mas a moça acaba se desencontrando de Ruy no horário marcado, afinal, ele não queria levá-la de verdade. Sem entender, vai atrás de Ruy em Belém – para onde eles iriam antes de seguir viagem ao Rio – acreditando que irá encontrá-lo no hotel que costuma ficar na capital do Pará. É tarde: o rapaz já foi embora.

A frustração não é suficiente para fazer Ritinha (Isis Valverde) sossegar e voltar para casa. Ela decide ficar em Belém e encontrar uma amiga, Francineide (Laize Câmara), que trabalha como sereia em um aquário e lhe apresenta o universo do sereísmo, que a deixa fascinada. O breve sumiço de Ritinha faz com que sua mãe e todos em Parazinho acreditem que ela foi embora com Ruy (Fiuk). A notícia chega até Zeca (Marco Pigossi), que está na casa de sua tia Nazaré (Luci Pereira), no bairro de Portugal Pequeno, em Niterói, para onde ele foi depois de entregar a carga no Rio de Janeiro. O caminhoneiro, certo de que foi abandonado por Ritinha, se revolta e decide mudar de vida: vai voltar a Parazinho, buscar o pai e depois se mudar para Niterói.

Quem cai na rede é peixe

O tempo a mais que Ruy (Fiuk) ficou em Parazinho deixou Cibele (Bruna Linzmeyer) incomodada. Ela está envolvida com os preparativos do casamento e a reforma do apartamento que irão morar. Quer que o noivo participe de tudo e fique tão entusiasmado quanto ela. Percebe que tem algo errado, que Ruy não está tão carinhoso e presente como antes. Uma nova oportunidade de voltar ao Pará por conta do trabalho cai como uma luva para Ruy e deixa a noiva ainda mais intrigada.

A esta altura, Zeca (Marco Pigossi) já saiu de Niterói rumo a Parazinho, mas decide parar em Belém para entregar uma carga. Por ironia do destino, encontra Ritinha (Isis Valverde) enquanto procura um lugar para comer. É atraído pela animação de adultos e crianças que olham fixamente para um aquário e a vê nadando entre os peixes, com cauda de sereia. Impactado, Zeca consegue tirar Ritinha à força do local e a leva, bastante contrariada, de volta a Parazinho. Ela deseja ficar em Belém de qualquer maneira. Mas o caminhoneiro quer se vingar, ver Ritinha sofrer na boca do povo e nas mãos de Edinalva (Zezé Polessa), que não deixará barato.

Apesar da desonra pública, com o passar dos dias Zeca (Marco Pigossi) se deixa levar novamente por Ritinha (Isis Valverde). Ela aproveita a passagem do Círio de Nazaré pela cidade, quando tem a chance de estar mais perto de Zeca, para convencê-lo de que fugiu para Belém sozinha, para trabalhar como sereia, e que não contou nada porque ele e sua mãe nunca iriam deixá-la ir. Jura para Zeca que voltaria e que não levou todas as suas roupas como disseram. O caminhoneiro a perdoa, e, apaixonado, quer levar a amada para morar com ele em Niterói. Já está de mudança marcada. Mas Ednalva bate o pé: Ritinha só vai se estiver casada. Mesmo contra a vontade de Abel (Tonico Pereira), que agora não pode nem ver a moça em sua frente, Zeca se casa com Ritinha em Parazinho.

A festa é simples, mas muito animada. Os convidados dançam ao som do Carimbó, dança típica do Pará. Tudo seguiria perfeito, se Ruy (Fiuk) não conseguisse entregar um bilhete para Ritinha (Isis Valverde), através de Marilda (Dandara Mariana), no meio da festa. Sem pensar muito, a jovem mais uma vez segue seus impulsos e vai ao encontro do rapaz, curiosa. Ele a espera no rio, dentro de um barco, e fica surpreso quando a vê vestida de noiva. Mal dá tempo de os dois conversarem, e Zeca (Marco Pigossi) chega, flagrando a situação. Sem pensar, o caminhoneiro pega uma arma, que está próxima dele em outra embarcação, e atira. Ritinha pula dentro do barco e foge com Ruy, em clima de total tensão e desespero.

Ruy percebe a cilada em que se meteu. Se sente culpado e responsável por Ritinha, e acaba a levando para o Rio de Janeiro. Pede emprestado ao amigo Amaro (Pedro Nercessian) uma casa afastada para deixá-la até que encontre uma saída. Mas enquanto isso, não resiste e tem outros momentos de paixão com Ritinha (Isis Valverde), durante as visitas para levar comida. Dantas (Edson Celulari), o pai de Cibele (Bruna Linzmeyer), está em sua cola, desconfiado. Dantas também trabalha na C.Garcia e acompanha os passos de Ruy e seus sumiços da empresa. A namorada dele, Shirley (Michelle Martins), é esperta e o ajuda a identificar o que está acontecendo com o noivo da filha.

Ruy consegue localizar Edinalva, a mãe de Ritinha, e compra passagem para mandar a moça de volta a Parazinho. Ao falar com Edinalva, sente-se seguro de que ninguém fará mal a Ritinha se ela voltar para sua cidade. Mas quando está prestes a conseguir se livrar da situação, Ritinha faz uma grande revelação para Ruy: está grávida dele.

O recomeço de Zeca

Se Ruy (Fiuk) está em maus lençóis, a vida de Zeca (Marco Pigossi) também fica virada do avesso. O tiro que disparou no dia de seu casamento com Ritinha (Isis Valverde) atingiu um barqueiro, e ele precisou vender o caminhão para pagar a indenização ao homem que perdeu a carga que levava no barco. Do zero, ele recomeça a vida em Niterói ao lado do pai, Abel (Tonico Pereira), na casa da tia Nazaré (Luci Pereira). Zeca quer esquecer tudo o que aconteceu, mas não consegue. Amaldiçoa Ritinha em sua mente o tempo todo e vai acertar contas com Ruy na porta da C.Garcia, partindo com muita fúria para cima dele.

Os dias passam e ele se aproxima da vizinha Jeiza (Paolla Oliveira), uma policial linda, mas muito durona e cheia de garra. Ela ama o trabalho no Batalhão de Ações com Cães e também sonha se tornar lutadora de MMA. Jeiza quer conquistar os ringues e mostrar que mulher pode fazer o que quiser. Filha de Cândida (Gisele Fróes), Jeiza é feminina, gosta de se produzir bem para sair, mas seu comportamento em relação aos homens se difere da maioria das mulheres do bairro. Inclusive da própria mãe, que acaba se relacionando com tipos que não a valorizam. Jeiza não aceita domínio de namorado algum, principalmente quando envolve sua profissão. É ela quem sempre deu as cartas nas suas relações.

Zeca, de início, não gosta da moça. Afinal, criado no Interior e muito machista, não entende uma mulher como Jeiza. Mas, com o tempo, os dois se tornam amigos – ela até o ajuda a encontrar uma advogada para entrar com o processo de anulação do casamento com Ritinha. Da amizade, surge uma grande paixão. Paixão que irá enganar Zeca novamente, fazendo-o acreditar que virou a página com Ritinha de uma vez por todas. Só que ele não se dá conta de que o velho sentimento continua ali, pronto para explodir a qualquer momento.

Os caminhos de Zeca, Ruy e Ritinha seguirão entrelaçados pela rede de fascínio e dominação dessa mulher, rumo a situações inesperadas e surpreendentes.

Ivana e sua jornada para compreender sua identidade de gênero

Filha caçula de Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido), Ivana (Carol Duarte) vive um grande conflito existencial. Quando se olha no espelho, não consegue se reconhecer: percebe que tem algo diferente em seu corpo, na forma como enxerga a si mesma. Ela foi criada para ser a imagem e semelhança da mãe, que cultua ao máximo tudo o que diz respeito à beleza e ao feminino. Ivana faz o que pode para não decepcionar Joyce. Mesmo assim, as discussões com a mãe são inevitáveis.

Quando criança, posou ao lado de Joyce para capas de revistas usando os modelos mais fashion e até sapatos de salto para crianças. Mas, na fase adulta, Ivana se tornou uma mulher com quase nenhuma vaidade, não curte maquiagem e roupas da moda. Adora jogar vôlei de praia e sonha se tornar uma jogadora profissional. Ela se esforça para namorar Claudio (Gabriel Stauffer). Mas não consegue ir adiante, embora goste bastante dele. E os conflitos internos se agravam.

A mãe, que tanto idealizou a filha, não aceita Ivana como ela é. Quer que ela se arrume, valorize suas formas, seja como a maioria das moças de sua idade e classe social. Assim como é a prima Simone (Juliana Paiva), filha de Silvana (Lilia Cabral) e Eurico (Humberto Martins), sua grande confidente e amiga. Chega um momento em que Ivana percebe a natureza de seu problema e, então, iniciará uma jornada para compreender sua identidade de gênero.

Enquanto Ivana luta para encontrar seu lugar no mundo, Joyce e Eugênio precisarão resgatar a cumplicidade perdida para lidar com essa questão tão delicada que jamais imaginaram viver.

O orgulho Plus Size e o motorista misterioso de Eurico

Na C.Garcia trabalha Abigail (Mariana Xavier), conhecida como Biga. Secretária dos executivos da empresa de alimentos, ela tem a autoestima lá no alto. Está sempre na internet procurando modelos sensuais de lingerie plus size e não entende a obsessão das pessoas por dieta. Adora comer seu chocolate e é feliz com suas formas. Alegre e divertida, Biga também se mostra muito esperta: sabe de tudo o que acontece à sua volta na empresa.

É também na C.Garcia que trabalha Nonato (Silvero Pereira), homem que saiu do interior do Ceará para tentar a vida artística no Rio. Como meio de sustento, aceita o trabalho de motorista de Eurico (Humberto Martins), que inclui vigiar os passos de Silvana (Lilia Cabral). Sua função é descobrir para onde vai a esposa do patrão, cada vez mais desconfiado de que ela sai para jogar. Nonato conquista o reconhecimento de Eurico com sua competência, mas não perde o foco nos seus objetivos. Quer montar seu espetáculo e mostrar seu talento como transformista. Quando está na residência do patrão, precisa driblar a desconfiança de Dita (Karla Karenina), a empregada da casa, que percebe algo diferente na aparência dele. Eurico, que é um homem extremamente conservador, estabelece uma relação de amizade com Nonato, sem imaginar que ele guarda segredos que suas convicções jamais aceitariam.

A viagem para a região Norte: imersão na cultura local

Isis Valverde vestida com uma cauda de sereia, sendo carregada por Marco Pigossi em meio ao mercado Ver-o-Peso, em Belém. A cena inusitada dos personagens Ritinha e Zeca foi gravada pouco após as sete da manhã de um sábado, quando a venda de peixes já está em alta no local, e, claro, atraiu os olhares curiosos de quem passava por lá. Se o mercado está sempre lotado de gente para todos os lados, que dirá durante os seis dias em que a equipe de ‘A Força do Querer’ gravou diversas cenas em vários pontos turísticos da cidade. “Foi muito gostoso gravar em Belém. As pessoas foram muito receptivas e carinhosas com todos nós, trouxeram uma energia bem bacana para o set”, conta o diretor artístico Rogério Gomes.

Na pele de Ritinha, que vive em Parazinho, vila fictícia próxima a Belém, Isis Valverde interagiu bastante com os paraenses durante os intervalos das cenas e nos horários fora das gravações, afinal, para a atriz, a convivência com a população local é fundamental na composição da personagem. “É a primeira vez que interpreto uma paraense, e nunca havia estado na região Norte. Observei bem como as pessoas se comportam e aprendi a falar melhor as expressões locais, como ‘égua’ e ‘tu pensas que sou lesa, é?’, que a personagem usa bastante”, explica, aos risos.

A área que abriga o Ver-o-Peso é enorme, e praticamente todas as particularidades do mercado foram exploradas nas gravações. Entre as locações, estavam o Cais do Porto, as barraquinhas que vendem alimentos e artesanatos, a parte da venda de banhos de ervas – tradição muito forte por lá – e a feira do açaí, que foi cenário do dia mais trabalhoso de gravações no mercado. No primeiro capítulo da trama de Gloria Perez, Eugênio (Dan Stulbach) viaja até o Pará com o objetivo de negociar o fruto para a empresa da família, a C.Garcia, ao lado do primo Caio (Rodrigo Lombardi) e do filho pequeno, Ruy (João Gabriel Cardoso). Anos depois, volta com o filho crescido, interpretado por Fiuk. Na gravação das cenas, cerca de 400 figurantes – trabalhadores reais da feira –, 10 barcos e 5 mil rasas – como são chamadas na região as cestas de palha com açaí – foram necessários para reproduzir a tradicional feira, que acontece todos os dias da semana com exceção de domingo, único dia em que a gravação pôde ser realizada. “Trouxemos também caminhões, motos, kombis e carrinhos de mão. Cada rasa tinha 17 quilos de açaí. Sem dúvida, foi o dia mais trabalhoso, mas conseguimos reproduzir a feira como ela realmente é”, conta a produtora de arte Mirica Viana.

Dirigindo um caminhão, Marco Pigossi gravou as cenas em que Zeca chega ao Ver-o-Peso, e outras em que o caminhoneiro circula pelo mercado. O ator aproveitou os intervalos para visitar as barraquinhas e comprar guloseimas. “Adoro castanha do Pará e provei o açaí. Curti bastante a cultura da cidade, que é muito rica, mas o que levei de lembrança foi comida mesmo”, diverte-se.

Dan Stulbach, Rodrigo Lombardi e Fiuk ficaram menos tempo em Belém, mas também conseguiram aproveitar a culinária paraense. “Eu já estive em Belém outras vezes, então já sabia o que era bom e fui no certo. Adoro pato no tucupi e a maniçoba, uma feijoada local”, contou Dan Stulbach. Já Rodrigo, que não conhecia a cidade, ficou encantado com o Filhote, um peixe muito consumido na região. “Amei esse peixe. Estou chateado porque não vou encontrar no Rio. Tem que ter Filhote lá”, disse, bem-humorado. Fiuk curtiu a comida, mas ficou impressionado mesmo com a forma com que foi recebido pelas pessoas: “O povo aqui é caloroso demais. Achei uma delícia sentir toda essa receptividade”. Além do Ver-o Peso, a equipe gravou cenas na Basílica Santuário de Nazaré, no museu Casa das Onze Janelas e no distrito de Icoaraci, a 20 quilômetros da capital.

De Belém, a equipe de ‘A Força do Querer’ partiu para Manaus, onde ficou até a segunda semana de fevereiro. Em um vilarejo, a uma hora de barco da Capital, com apenas 250 habitantes, foram gravadas as cenas da fictícia Parazinho. Vila de Acajatuba, que pertence ao município de Iranduba, tem oito comunidades, e uma delas, a Perpétuo Socorro, foi a escolhida como locação. Praticamente todos os habitantes do lugar participaram das cenas. Marlene Alves produz artesanato com produtos locais, como sementes de açaí e morototó, que foram utilizados em cena. “A gente vive do artesanato, da pesca e da agricultura. Plantamos principalmente mandioca, abacaxi e batata. Estamos muito felizes em sermos representados na TV. Os turistas vêm aqui, conhecem nossa cultura, mas nunca imaginamos um dia estar numa novela”, contou orgulhosa a moradora de Acajatuba.

Os atores cujos personagens vivem em Parazinho – Isis Valverde, Marco Pigossi, Tonico Pereira, Zezé Polessa, Dandara Mariana e Eline Porto, entre outros – precisaram absorver a cultura local e gravaram por lá muitas cenas, durante alguns dias. Zezé Polessa, Dandara Mariana e Isis Valverde ficaram hospedadas na própria Vila, em uma pousada. “Queria sentir como é realmente morar aqui, além de economizar tempo de viagem de barco para estudar. Estou aprendendo todas as gírias locais, já tinha feito uma grande pesquisa no Rio”, contou Zezé.

No centro do vilarejo existe uma igreja pequena, com toda a simplicidade e beleza das construções de Interior, onde foram gravados eventos importantes da trama e tradicionais na região Norte, como a procissão do Círio de Nazaré e a festa do Carimbó, uma dança típica da região. “Fizemos algumas interferências na igreja para deixá-la ainda mais encantadora. Construímos um oratório e decoramos os azulejos da fachada, sempre com a orientação e ajuda dos moradores. Para a festa do Carimbó produzimos as fitas coloridas e as gambiarras de luz, tudo bem artesanal, como acontece mesmo no Interior”, descreveu Cristiane Lobato, da equipe de cenografia. Já a equipe de figurino precisou produzir dezenas de saias que as mulheres usam para dançar o Carimbó. “Cada saia tem 14 metros de pano para dar o efeito esperado quando as moças se movimentam durante a dança”, explica a figurinista Natalia Duran.

O trabalho da produção de arte também é intenso nesses grandes eventos da novela. “Só para o Círio levamos 30 barcos, montamos barraquinhas com artesanatos e os artigos religiosos, além dos ex-votos, presentes dados pelos fiéis ao santo de devoção como agradecimento pela graça alcançada”, explica a produtora de arte Mirica Vianna.

Cenografia e Produção de arte: cultura e tradição nos mínimos detalhes

‘A Força do Querer’ é ambientada no Pará apenas nos primeiros capítulos, mas a cultura da região Norte estará presente nos cenários ao longo de toda a novela. As equipes de cenografia e produção de arte fizeram uma verdadeira imersão, que começou seis meses antes do início das gravações com uma viagem para a tribo Ashaninka, na fronteira do Acre com o Peru. Lá, a cenógrafa Anne Bourgeois e a produtora de arte Mirica Vianna tiveram contato com a sabedoria dos índios, os rituais e as peças artesanais produzidas por eles.

Elementos desse universo compõem um dos principais cenários da trama, o apartamento de Eugênio (Dan Stulbach) e Joyce (Maria Fernanda Cândido). Como Eugênio faz diversas viagens para a região amazônica por conta da empresa C.Garcia, todo o tipo de lembranças e souvenirs dos lugares por onde ele passa estão espalhados pelos cômodos da casa e do escritório. “Temos peças dos Ashaninkas, como um colar com sementes e penas de tucano e uma peça de tear que as mulheres usam para carregar bebês, que colocamos em uma caixa de vidro para expor no escritório. Adquirimos outras peças belíssimas nessa viagem, entre elas uma escultura feita com cascas de plantas amazônicas e uma coleção de figas”, conta a cenógrafa Anne Bourgeois. A produção de arte completa o trabalho da cenografia com outros elementos da região para o cenário. “Nossa função é caprichar nos detalhes para marcar as cenas. No apartamento do Eugênio serão vistos revistas com a fauna e flora da Amazônia, cereais da região que colocamos em belos potes e outros objetos interessantes da viagem”, explica a produtora de arte Mirica Vianna.

Depois da tribo Ashaninka, o trabalho migrou para Belém e Vila de Acajatuba. Desses lugares, muitas referências e objetos foram trazidos aos Estúdios Globo para compor o interior das casas de Parazinho e as residências de Portugal Pequeno, bairro de Niterói, município do Rio, que foi reproduzido numa cidade cenográfica de aproximadamente quatro mil metros quadrados.

É neste bairro, que guarda algumas semelhanças com Belém, que mora Nazaré (Luci Pereira), tia de Zeca (Marco Pigossi) e irmã de Abel (Tonico Pereira). E é para onde os dois se mudam após a desilusão de Zeca com Ritinha (Isis Valverde). “O que nos chamou a atenção em Portugal Pequeno é a paleta de cores do lugar, muito parecida com a de Belém. Os prédios e casas são verde água, rosa, amarelo, é um colorido bem particular. Reproduzimos isso na nossa cidade cenográfica e também a arquitetura interessante do bairro, os prédios antigos e os casarios, construções riquíssimas do começo do século passado”, descreve Anne Bourgeois.

Em Portugal Pequeno, o ponto de encontro dos moradores do bairro é a venda da Nazaré, que terá todo o tipo de influência paraense. O imóvel foi pintado de amarelo, verde e azul por dentro e terá um grande painel que retrata elementos da Amazônia. “Trouxemos de Belém alguns preparados de ervas, farinhas e louças de cerâmica marajoara, tudo para compor a venda de forma que as influências do Pará fiquem evidentes. A comida e os petiscos que serão servidos também serão feitos da forma mais próxima possível”, conta a produtora de arte. “Além de trazer a cultura do Pará para Portugal Pequeno, nosso maior desafio foi reproduzir o bairro em escala real, com ruas largas para passar caminhões e ônibus, e prédios que existem lá com as mesmas medidas”, reforça Anne Bourgeois.

Outro bairro que será cenário da novela é a Usina, na Zona Norte do Rio, onde fica o casarão antigo da família Garcia e vive Heleninha (Totia Meireles), com o marido Junqueira (João Camargo) e o filho Yuri (Adriano Alves). O casarão será frequentado por diversos personagens importantes, como Caio (Rodrigo Lombardi), Bibi (Juliana Paes) e Ritinha (Isis Valverde). “É uma casa que mantém a tradição, os móveis antigos, conserva a história da família. Não existe um projeto de interiores moderno, como nas casas dos irmãos Garcia”, explica Anne. Na frente, mora Bibi (Juliana Paes) com o marido Rubinho (Emílio Dantas) e o filho Dedé (Gabriel Almeida Bravo). A residência de Bibi é simples, com mobiliário básico, já que ela e o marido vivem com dificuldades financeiras. Depois que a personagem enveredar para o mundo do crime, a equipe de cenografia e arte terá mais trabalho para retratar o universo da família. “Faremos um ‘casebre ostentação’. Por fora, uma casa feia e, por dentro, terá tudo do bom e do melhor”, adianta Anne Bourgeois.

Figurino e caracterização: fidelidade e realismo

Para compor o estilo dos personagens de ‘A Força do Querer’, a figurinista Natalia Duran se baseou nas pesquisas realizadas pela autora Gloria Perez para escrever a novela e em informações contidas no texto da trama que indicam caminhos para a elaboração do figurino. “O figurino ajuda muito a contar a história. Ele acompanha o personagem, dá a ele uma personalidade única. Essa novela é muito real, e todos os personagens têm uma história forte, então procuramos montar um figurino que reforce o jeito de ser e o estilo de vida de cada um”, explica Natalia Duran.

A personagem de Isis Valverde, Ritinha, exigiu um esforço imenso da equipe de figurino, que precisou contar com o apoio da área de caracterização de efeitos especiais. O trabalho começou com a confecção da cauda de sereia da personagem e demorou cinco meses para ser concluído. “Foram diversos testes e vários processos de confecção, desde o molde no corpo da atriz até o teste final na piscina”, conta Vinicius Vaitsman, caracterizador de efeitos.

A cauda é feita de silicone e pesa 24 quilos. Duas outras caudas também foram produzidas para as gravações. “Temos ao todo três caudas, uma idêntica à primeira, por segurança, e uma outra mais leve, de 12 quilos, para as cenas em que a cauda precisa ser carregada”, explica Natalia Duran.

O figurino de Ritinha, quando não está vestida de sereia, também é bem específico. A intenção é que a personagem tenha um estilo bem diferente das outras meninas de Parazinho. “Por ser uma menina com personalidade bem específica, decidimos que ela teria muitas peças artesanais. Optamos por blusas de crochê, sandálias de couro feitas à mão, bijuterias feitas de escamas de peixe e sementes da Amazônia. Fugimos da moda sintética que existe no Pará e conseguimos um tom natural, bem leve para a personagem”, enaltece a figurinista.

Para Jeiza, personagem de Paolla Oliveira, a equipe precisou elaborar figurinos que destacam os três momentos de vida da personagem: o trabalho como policial do Batalhão de Ações com Cães (BAC), os treinos de MMA e as horas de folga. O uniforme de policial foi adaptado para as formas femininas da personagem. “As policiais costumam ajustar o uniforme ao próprio corpo para ficar com a silhueta mais bonita. Quando não está trabalhando, Jeiza também usa peças que valorizam o corpo, como bodies com as costas de fora, calça jeans justa, jaqueta e bota de couro com bico fino. É uma mulher firme, com atitude, muito feminina”, descreve Natalia Duran.

Outras mulheres que têm o figurino mais diferenciado na trama são Joyce (Maria Fernanda Candido), Silvana (Lilia Cabral), Cibele (Bruna Linzmeyer) e Irene (Débora Falabella). Joyce, que é uma mulher extremamente vaidosa e ligada ao mundo da moda, usa muitas peças de grife, joias e bolsas sofisticadas. Já Silvana, apesar de ter condição financeira favorável como a cunhada Joyce, prefere usar peças alegres, com muita estampa, que combinam bem com seu jeito expansivo. “A Silvana tem uma ousadia, carrega nas tintas. Usa vermelho, laranja, estampas grandes. A intenção é que ela seja alegre através do figurino, até porque a personagem vive o drama pesado da dependência do jogo”, pondera a figurinista. Cibele (Bruna Linzmeyer) é uma jovem rica, mas prefere um visual mais moderno. E Irene (Debora Falabella), uma mulher que gosta de seduzir sem que os outros percebam, usa artifícios para atingir seus objetivos através da roupa. “O figurino da Cibele tem estilo rock n’roll, como as garotas londrinas. Ela usa jaqueta chamois com franja, calça de couro. Já a Irene é aquela mulher que usa camisa de tecido, mas sempre deixa um decote para quando abaixar aparecer o sutiã vermelho, por exemplo. Você não sabe, mas embaixo do visual sóbrio tem uma mulher de lingerie com cinta-liga”, entrega a figurinista.

O visual de uma das principais personagens, Bibi (Juliana Paes), deve mudar radicalmente ao longo da novela. Enquanto ela vive uma vida simples, na Zona Norte do Rio, suas roupas serão básicas e comportadas. Depois, quando Bibi enveredar para o mundo do crime, terá um visual ousado. “Queremos que seja algo surpreendente”, conta Natalia.

Já os homens da trama não são de ousar no visual. A maioria segue o estilo clássico, usando peças de cores básicas, como preto, azul-marinho e cinza. Eugênio (Dan Stulbach) resiste em ser um executivo, e esse conflito interno se reflete em suas roupas. Ele intercala calça e camisa social com peças mais despojadas. Diferente do irmão Eurico (Humberto Martins), que é um homem conservador, e está sempre de calça social, camisa e blazer de cores sóbrias.

Dantas (Edson Celulari) também usa muito terno sem gravata, mas com um caimento mais moderno. Da família Garcia, Caio (Rodrigo Lombardi) é o que tem estilo mais arrojado, fruto dos anos que viveu em Nova Iorque. “Ele usa cores mais fortes, como uma calça vinho com camisa xadrez, é um homem que sabe se vestir e vai dar um charme a esse núcleo que é mais careta”, conceitua Natalia.

Ruy (Fiuk) também é antenado, cosmopolita. Só que com traços no visual mais alternativos do que Caio. Já Zeca (Marco Pigossi) é o oposto de tudo isso. O caminhoneiro veste roupas que estão fora da numeração dele e que podem ter sido compradas em brechós. “A roupa dele é sem modelagem e sem sofisticação alguma. Quando ele se muda para Niterói e seu universo se expande, começa a se vestir diferente”, conta a figurinista.

A caracterização dos personagens segue a mesma linha do figurino: de acordo com a personalidade de cada um. A intenção de Valéria Toth, que comanda a equipe, é uma caracterização realista e sem exageros. Para algumas personagens optou por batons e esmaltes de cores fortes, mas a maioria usa maquiagem quase imperceptível e esmaltes em tons claros. Ritinha (Isis Valverde) praticamente não usa maquiagem, assim como as outras moças de Parazinho. Mas tem o corpo dourado e o comprimento dos cabelos é longo, digno das sereias. “Toda a caracterização da Ritinha foi pensada para combinar com a natureza e o sol quente. As pontas do cabelo são mais claras, para parecer queimadas de sol, e usamos alguns artifícios de maquiagem para dar o tom dourado à pele dela”, conta Valéria.

Entre as personagens que mais usam maquiagem está Jeiza (Paolla Oliveira). Com direito a rímel, blush, sombra e batom de cor mais forte do que os tons de boca. O cabelo é loiro, abaixo dos ombros. “Ela é vaidosa, mas nem um pouco over”, ressalta a caracterizadora. Joyce (Maria Fernanda Candido), a mais sofisticada de todas as mulheres da trama, usa cabelo e maquiagem de acordo com a moda, mas sempre com muita elegância. “Ela usa o cabelo com tons claros e, nos olhos, uma sombra esfumaçada, para deixar menos marcado, e batons em tons de rosa claro e cereja. A única ousadia nela são as unhas postiças de cores fortes como vermelho e rosa escuro”, explica Valéria.

Cibele (Bruna Linzmeyer) é a personagem que mais capricha na maquiagem. “Ela tem rímel de várias cores, como vermelho e azul, é a maquiagem mais moderna da novela”, conta a caracterizadora.

Entre os homens, a caracterização de Caio (Rodrigo Lombardi) promete se destacar. “O corte de cabelo dele é moderno, usa um pouco mais comprido, e tem uma barba bem tratada. É um visual bem interessante”, valoriza Valéria, que optou por barba em vários outros personagens, como Eugênio (Dan Stulbach), Rubinho (Emílio Dantas) e Zeca (Marco Pigossi). Dantas (Edson Celulari) usa cavanhaque. Ruy (Fiuk) é um dos poucos sem barba, mas o cabelo é ligeiramente comprido. “O Ruy tem um estilo roqueiro de se vestir, então achamos que combina com ele um cabelo mais longo. Durante a novela vamos mexer nas caracterizações de acordo com as mudanças na vida dos personagens e também para trazer novidades, sempre respeitando a continuidade”, adianta Valéria.

Entrevista com a autora Gloria Perez

Formada em História pela UFRJ, Gloria começou sua carreira como autora de telenovelas em 1983, com a função de colaboradora de Janete Clair em ‘Eu prometo’. Com o falecimento da autora titular, assumiu a responsabilidade e levou a história até o fim, com a supervisão de Dias Gomes. No ano seguinte, assinou sua primeira novela como titular, em parceria com Aguinaldo Silva, ‘Partido Alto’. É autora de várias novelas de sucesso, como ‘Barriga de Aluguel’ (1991), ‘Explode Coração’ (1995), ‘O Clone’ (2001) e ‘América’ (2005). Suas produções já lhe renderam diversos prêmios no Brasil. ‘Caminho das Índias’ (2009) foi a primeira produção nacional a ganhar o prêmio Emmy Internacional de melhor telenovela. Assinou também as minisséries ‘Desejo’ (1990), ‘Hilda Furacão’ (1998) e ‘Amazônia – De Galvez a Chico Mendes’ (2007). Em 2012, escreveu a novela ‘Salve Jorge’. Em 2014 retornou à TV com o seriado ‘Dupla Identidade’. Uma marca dos trabalhos de Gloria Perez são as campanhas de alcance social que introduz em suas tramas. Crianças desaparecidas, dependentes químicos, saúde mental, tráfico humano são alguns temas abordados, com ampla repercussão. A campanha contra as drogas em ‘O Clone’ foi premiada nos Estados Unidos pelo FBI e pelo DEA, departamento responsável pela repressão a crimes relacionados ao tráfico de drogas. Em ‘A Força do Querer’, vai abordar a questão do gênero, compulsão por jogo, entre outros assuntos.

Como você define ‘A Força do Querer’?

Um embate de quereres diferentes e, no sentido mais amplo, o universo de duas famílias. Porque a trama parte de uma predição que une dois meninos pertencentes a duas famílias distintas. O desenho da história começa com essas duas famílias e mais aqueles personagens que se relacionam com esse universo, são dois grandes núcleos. A partir daí, entram várias questões. Que quereres são esses? Como eles se organizam? E quando a força do querer de um afeta a força do querer do outro? Todas essas questões serão mostradas através de situações diversas e das temáticas que quis trazer para discussão nesta obra, como a questão do gênero, a compulsão por jogo, sereísmo, entre outros.

O que te levou a escolher o tema central da novela, que trata dos quereres, e os outros temas como o trabalho do Batalhão de Ação com Cães, compulsão, mulheres e homens que amam demais… Como surgiu a ideia de falar de cada um desses assuntos?

Os temas me escolheram, não fui atrás deles. No dia a dia, de repente, surge uma determinada situação que direciona o seu olhar para um assunto. E esses assuntos todos estão acontecendo à nossa volta. Achei muito interessante o trabalho do Batalhão de Ações com Cães e quis trazer para a novela. O policial deste batalhão não existe sozinho, ele e o cão são um só e essa relação é de extrema importância para que eles enfrentem o perigo das operações. A história da Bibi Perigosa me impressionou demais, inspirada no livro dela vou contar até onde uma mulher vai pela intensidade da paixão. E, percebendo que muito se fala de mulheres que amam demais, quis mostrar que homens também ultrapassam seus próprios limites e são desafiados por uma paixão. A compulsão por jogo é outro assunto que me despertou interesse, soube de casos muito curiosos e quis retratar essa dependência e como isso pode interferir num casamento. Foi assim com os outros temas também.

Sobre o tema central, acho que a gente está vivendo um tempo de embate de quereres. Vejo muito isso em volta de mim. De quereres que se conflitam, que se harmonizam. A própria revolução tecnológica deu muito poder às pessoas. Elas podem se expressar diretamente, não precisam mais de intermediários. Então o querer vem junto com tudo isso e ficou muito mais forte nessa época em que estamos vivendo. São quereres que estão sendo reivindicados e solidificados. Foi isso que me motivou a trazer esse tema para a novela.

O pioneirismo na abordagem de temas pouco explorados e bem contemporâneos são uma de suas grandes características como autora. Barriga de aluguel, em ‘Barriga de Aluguel’, clonagem e a religião muçulmana, em ‘O Clone’, doação de órgãos, em ‘Explode Coração’, deficiência visual, em ‘América’, esquizofrenia, em ‘Caminho das Índias’, tráfico de mulheres em ‘Salve Jorge’, entre outros. Onde você busca inspiração para tratar desses assuntos?

Presto muita atenção no mundo, no que está acontecendo ao meu redor. As pessoas acham que eu enxergo longe. Não! Todas as coisas que eu vejo estão aqui, ao nosso lado. É que muitas vezes não prestamos atenção. Assim aconteceu com a temática de ‘América’, quando eu conheci uma imigrante ilegal em Miami e abordamos isso na história, ou em ‘Salve Jorge’, com o tráfico de mulheres. Todos os temas eram recorrentes do dia a dia, mas a maioria das pessoas desconhecia. No caso do sereísmo, surgiu a ideia depois de ver na TV uma mulher vestida de sereia. Pensei: “Que profissão interessante! Nós nunca mostramos essa profissão em novelas”. Não há um ponto de partida. As ideias vão surgindo.

Em ‘A Força do Querer’, teremos a questão do gênero. Por que você resolveu trazer este assunto para a novela?

Estamos assistindo à desconstrução do gênero e às transformações do mundo atual. Fui atrás de pessoas que vivem isso e conversam abertamente sobre o assunto, ouvi as histórias. Da mesma forma quando escrevi ‘O Clone’, por exemplo. Eu percebi que a revolução genética quebraria muitos limites éticos, entre outras coisas. A partir do momento em que você percebe que alguma coisa está acontecendo, é preciso falar sobre isso. E a novela é uma maneira de você conversar sobre o assunto. Vamos mostrar as dificuldades que nossa personagem trans passa até perceber o que está se passando. Ivana sente uma incompatibilidade entre o seu corpo e sua mente, mas não entende o que é. Para os pais, toda essa situação também é muito difícil. De repente, toda a vivência com aquela pessoa precisa ser ressignificada. Percebi nas minhas pesquisas que isso é um drama muito grande, principalmente para as mães.

Minha intenção com esse tema é discutir sobre a diversidade e tolerância. Nasci, cresci e me formei em um mundo globalizado. Onde eu me criei, no Acre, tinham pessoas de várias origens em volta. Judeus, árabes, gente que ia atrás da borracha para ganhar dinheiro. Então, cada uma dessas pessoas tinha seus próprios costumes e os preservava. Depois, morei em Brasília, onde na época, ninguém era de lá, todos tinham vindo de estados diferentes do Brasil. Para mim, foi muito fácil desde sempre conviver com a diferença. É complicado entender a dificuldade que muitas pessoas têm de conviver com quem é diferente.

Sua obra é conhecida por abordar culturas e povos nem sempre muito conhecidos para a maioria dos brasileiros. E desta vez você opta por mostrar a cultura do Norte do país, especificamente a paraense, com as lendas, a força do boto, o Círio de Nazaré, entre outros. Existe uma razão especial para a escolha de ambientar o início da novela no Pará? O fato de ter sido criada no Acre tem influência nisso?

Tem sim, claro, mas o Pará é bem diferente do Amazonas e do Acre. Tem características muito particulares, aspectos muito ricos e interessantes, que ainda não foram mostrados nas novelas. A linguagem, a dança, a culinária… Além disso, acredito que a gente escreve melhor sobre aquilo que conhecemos. A região Norte é meu universo e quis mostrar de forma mais aprofundada do que na minissérie ‘Amazônia – De Galvez a Chico Mendes’.

E a tribo Ashaninka, que você retrata através da história de Zeca e Ruy? Como conheceu essa tribo e o índio Benki Piyãko, que participa da novela? Qual a mensagem que pretende passar mostrando essa tribo?

Os Ashaninkas vivem no Acre, na fronteira com o Peru. É uma tribo muito bonita, descendente do incas. Existem os incas no Peru, e, na parte do Acre, os Ashaninkas. É a única tribo vestida do Brasil, eles próprios confeccionam suas roupas. Uma marca de roupas famosa fez toda a coleção inspirada na Ashaninka. A tribo é conhecida no Exterior, o Benki já foi a Paris e outros lugares para falar da preservação da floresta amazônica. Esses índios são verdadeiros guardiões da floresta e avisam a polícia sobre desmatamento. Achei que seria enriquecedor para a novela mostrar essa tribo, que tem uma história tão bonita e que muita gente desconhece.

‘A Força do Querer’ marca a sua parceria inédita com o diretor Rogério Gomes. Como está sendo o processo de trabalho?

Está sendo uma parceria maravilhosa. A gente se dá bem e trabalhamos em conjunto. Eu escrevo sozinha, sem colaboradores, mas ouço muito as pessoas. E tem sido muito bom trabalhar com o Papinha. Compartilho todas as ideias com ele e com toda a equipe também. Criamos uma energia ótima.

Entrevista com o diretor artístico Rogério Gomes

Rogério Gomes participa do universo da televisão desde os cinco anos, quando acompanhava o pai, o locutor Hilton Gomes, aos estúdios da TV Tupi. Iniciou a carreira como operador de VT da primeira versão do ‘Sítio do Pica-Pau Amarelo’, na Globo, e depois passou a editor de imagens. Antes de começar a trabalhar com dramaturgia, Rogério editou e dirigiu diversos clipes exibidos no ‘Fantástico’, algumas edições do Hollywood Rock e também o primeiro Rock in Rio. A primeira novela que assinou como editor foi ‘Rainha da Sucata’, de Silvio de Abreu, em 1990. Seu próximo passo foi dirigir a minissérie ‘O Sorriso do Lagarto’, adaptada do romance de João Ubaldo Ribeiro e, logo depois, a novela ‘Deus nos Acuda’, de Silvio de Abreu. ‘Vira-Lata’, de Carlos Lombardi, exibida em 1996 foi a primeira novela que assinou como diretor-geral, ao lado de Jorge Fernando. De lá para cá, dirigiu diversas outras produções como ‘Mulheres Apaixonadas’, ‘Morde & Assopra’, ‘Paraíso’, ‘Amor Eterno Amor’, ‘Escrito nas Estrelas’, o seriado ‘A Teia’, entre outros projetos. Seus últimos trabalhos na Globo foram os sucessos ‘Império’, de Aguinaldo Silva, que ganhou o prêmio Emmy Internacional como melhor novela, e ‘Além do Tempo’, de Elizabeth Jhin. Em ‘A Força do Querer’, assina o primeiro trabalho ao lado da autora Gloria Perez.

Como está sendo a experiência de trabalhar pela primeira vez com a Gloria Perez?

Como ela trabalha sozinha, acaba compartilhando tudo comigo. Ela também me escuta muito e acho essa troca muito importante, faz com que a gente diminua bastante a margem de erros, que pode acontecer com facilidade numa novela, por ser uma obra aberta e muito extensa.

Como foi o processo de escalação do elenco para ‘A Força do Querer’?

Eu e a Gloria escolhemos o elenco juntos. Ela sugeriu alguns atores, eu sugeri outros, e a produtora de elenco, Rosane Quintaes, nos trouxe algumas opções também. Juntamos tudo e chegamos num consenso para montar o time. Não nos preocupamos tanto em ter aquele ou outro ator e sim, em escalarmos atores que realmente combinassem com os papéis. Foi uma escalação de adequação mesmo e acho que conseguimos um resultado bem bacana nesse sentido.

Foi proposital a escolha de uma atriz desconhecida do grande público para interpretar a Ivana, que vive o dilema da identidade de gênero?

Sim, e escolhemos a dedo a Carol Duarte, através de testes. É uma atriz incrível, formada pela Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo, que nunca fez TV. Os trabalhos dela sempre foram com teatro, até agora. Pensamos que, sendo uma atriz nova, a ligação com o personagem é mais direta ainda. Além disso, como na trama a personagem é uma mulher que vai se descobrindo trans, a Ivana vai se transformando também, e aos poucos.

O elenco fez preparação com o Eduardo Milevitz e alguns atores precisaram de uma preparação mais específica, como Isis Valverde e Paolla Oliveira. Conte um pouco desse processo.

A Isis e a Paolla precisaram fazer um laboratório profundo porque os personagens exigem isso. A Isis aprendeu a nadar com uma cauda de sereia muito pesada, fica dois minutos embaixo d’agua, em apneia. A Paolla é uma lutadora de MMA, então é um laboratório de treino, ela treinou e continua treinando direto. E tem o Batalhão de Ação com Cães, ela precisou treinar com o cachorro, fazer aula de tiro, já que vive uma policial. A preparação com o Milevitz é uma atividade que eu sempre incorporo nas novelas que eu faço porque ele integra muito o elenco. Ele faz essa família acontecer mais rápido do que quando a gente está gravando no dia a dia. Isso até acontece naturalmente, mas com essa atividade antes já chegamos no set bem mais preparados.

Como foram as gravações realizadas em Belém e Manaus?

Foram excelentes, conseguimos cumprir o plano que queríamos, no tempo que tivemos. Apesar das adversidades climáticas, que é normal do lugar, ainda mais no período do ano que fomos, os meses de janeiro e fevereiro. Soubemos lidar bem com os imprevistos e voltamos com as imagens que queríamos fazer. Tivemos 100% de aproveitamento.

O que o público pode esperar da novela? Qual sua expectativa sobre a recepção das pessoas?

‘A Força do Querer’ estimula você a ultrapassar suas barreiras, seus medos, buscar seus sonhos, independentemente de qualquer obstáculo. A minha expectativa é que o público receba a trama muito bem. Eu tento preservar ao máximo o gênero novela, e a Gloria é uma especialista nisso. Estamos fazendo para levar entretenimento às pessoas, acima de tudo.

E como será a trilha sonora?

Teremos muita MPB e samba. O tema de abertura é uma gravação de Caetano Veloso feita especialmente para a novela da música “O Quereres”. Teremos música da Dona Onete, que é considerada a “diva do Carimbó Chamegado”, e outras belas canções interpretadas por Agepê, Maria Rita, Mumuzinho, Mariana Aydar, Diogo Nogueira, entre outros. É uma trilha bem caprichada, que elaboramos pensando na diversidade do telespectador.

Perfil dos Personagens

Família de Ritinha

Ritinha (Isis Valverde) – Nascida e criada na fictícia Parazinho, desde pequena é fascinada pelas águas do rio. É sedutora, assim como as sereias. Vive a euforia da juventude. Gosta do namorado Zeca (Marco Pigossi), mas deseja experimentar de tudo, conhecer outros lugares, aproveitar o que a vida tem para oferecer. Vai se envolver com Ruy (Fiuk).

Edinalva (Zezé Polessa) – Mãe de Ritinha (Isis Valverde), conta que a teve sozinha dentro de uma canoa e engravidou de um homem-boto. É uma mulher religiosa, correta, mas, assim como a filha, gosta de aproveitar o que a vida tem para oferecer.

 Família de Zeca

Zeca (Marcos Pigossi) – É um jovem de sentimentos intensos, tudo nele é grande e intempestivo: o coração, os gestos, a capacidade de ser tão rude quanto delicado. Filho de Abel (Tonico Pereira), de quem herdou a honestidade, o temperamento forte e o gosto pelas estradas. É louco por Ritinha (Isis Valverde), mas vai se apaixonar por Jeiza (Paolla Oliveira).

Seu Abel (Tonico Pereira) – Pai de Zeca (Marco Pigossi). É muito religioso e tem uma interpretação muito própria dos ensinamentos bíblicos. Acredita que tudo nesse mundo seja vontade de Deus, menos a fraqueza de Zeca por Ritinha (Isis Valverde).

Nazaré (Luci Pereira) – Irmã de Abel (Tonico Pereira), vive em Portugal Pequeno, Niterói, para onde Abel e Zeca (Marco Pigossi) vão se mudar após deixarem Parazinho.

Família de Eugênio Garcia

Eugênio Garcia (Dan Stulbach) – Ocupa a diretoria da empresa de alimentos C.Garcia junto com o irmão Eurico (Humberto Martins), mas sonha montar seu escritório de advocacia. Sério, bonitão, cavalheiro, aquele tipo de homem que costuma ser apontado como marido modelo. É casado com Joyce (Maria Fernanda Cândido) e pai de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte).

Joyce (Maria Fernanda Cândido) – Esposa de Eugênio (Dan Stulbach), mãe de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte). É uma mulher requintada, que cultua tudo o que diz respeito à beleza e ao feminino. Viverá seus maiores conflitos quando Ivana revelar que não se enxerga no corpo de uma mulher.

Ruy Garcia (Fiuk) – Rapaz alegre, bem-humorado, que vive sem grandes preocupações e está de casamento marcado com Cibele (Bruna Linzmeyer). Até que sua vida vira de cabeça para baixo ao se envolver com Ritinha (Isis Valverde).

Ivana (Carol Duarte) –  Foi criada para ser a imagem e semelhança de Joyce (Maria Fernanda Cândido), uma mulher extremamente feminina e elegante. Faz o que pode para não decepcionar a mãe, mas quando se olha no espelho, não consegue se reconhecer. Iniciará uma jornada para compreender sua identidade de gênero.

Zuleide (Claudia Mello) – Empregada da família, é a única pessoa na casa que irá tratar com sensibilidade o drama de Ivana (Carol Duarte), defendendo-a de tudo e de todos, mesmo sem conseguir entender o que se passa com ela.

Família de Eurico Garcia

Eurico Garcia (Humberto Martins) Ocupa a diretoria da empresa de alimentos C.Garcia com o irmão Eugênio (Dan Stulbach). É um homem sem paciência para qualquer tipo de coisa que não tenha uma aplicação prática e tem muita dificuldade em lidar com mudanças. É casado com Silvana (Lilia Cabral) e pai de Simone (Juliana Paiva).

Silvana (Lília Cabral) Esposa de Eurico (Humberto Martins) e mãe de Simone (Juliana Paiva), vive um bom casamento e tem sucesso no trabalho como arquiteta, mas entrará em decadência por conta do vício do jogo, colocando-se muitas vezes em situações de alto risco.

Simone (Juliana Paiva) Filha de Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lilia Cabral), é a grande conselheira e amiga da prima Ivana (Carol Duarte) em seus dilemas existenciais. Também se envolve com os problemas da relação dos pais.

Dita (Karla Karenina) É a empregada da família, acoberta as escapadas de Silvana (Lilia Cabral) para jogar.

Família de Bibi

Bibi (Juliana Paes) É uma mulher dependente da adrenalina da paixão. Para ela, o fogo nunca será suficientemente alto. Abandona o noivo Caio (Rodrigo Lombardi), com quem teria um futuro promissor, para protagonizar a história de amor idealizada por ela com Rubinho (Emílio Dantas), com quem se casa e tem o filho Dedé (Gabriel Almeida Bravo). Mas essa relação a levará para caminhos tortuosos.

Rubinho (Emílio Dantas) É uma espécie de “lobo em pele de cordeiro”. Homem que se mostra romântico, carinhoso, e que parece ser comandado pela mulher, mas na verdade a manipula. Ele alimenta a sede de Bibi (Juliana Paes) por emoções extremas e desse modo a domina.

Dedé (Gabriel Almeida Bravo) Filho de Bibi (Juliana Paes) e Rubinho (Emílio Dantas). É um menino calmo e alegre, mas que sofre com a vida tumultuada que leva com os pais.

Aurora (Elizangela) Mãe de Bibi (Juliana Paes) não se conforma com a escolha da filha de deixar Caio (Rodrigo Lombardi) para ficar com Rubinho (Emílio Dantas). Está sempre ajudando Bibi no que está a seu alcance.

Família de Jeiza

Jeiza (Paolla Oliveira) Policial do Batalhão de Ação com Cães e lutadora de MMA. Começa a namorar Zeca (Marco Pigossi) logo depois que ele se muda para Niterói. A personalidade forte, garra e atitude não escondem seu lado sensual e feminino.

Candida (Gisele Fróes) Mãe de Jeiza. É namoradeira, está sempre envolvida em situações divertidas com os homens que conhece.

Família de Tio Garcia

Garcia (Othon Bastos) Tio de Eugênio (Dan Stulbach) e Eurico (Humberto Martins), e pai de Caio (Rodrigo Lombardi) e Heleninha (Totia Meireles). Fica anos sem contato com a família. É do tipo desencanado, que leva a vida sem grandes preocupações. No passado, viveu uma grande paixão com Elvira (Betty Faria).

Elvira (Betty Faria) Antiga paixão de Garcia. No passado, o temperamento forte dos dois não deixou que ficassem juntos. No reencontro, constatam que os anos não transforam nem um, nem outro.

Caio (Rodrigo Lombardi) Filho de Garcia (Othon Bastos) e irmão de Heleninha (Totia Meireles), é um homem sensível, inteligente, culto e apegado aos valores e princípios morais. Seu grande conflito será continuar amando Bibi (Juliana Paes) mesmo depois dela escolher o mundo do crime.

Heleninha (Totia Meirelles) Filha de Garcia (Othon Bastos) e irmã de Caio (Rodrigo Lombardi). É casada com Junqueira (João Camargo), que trabalha na empresa da família, a C.Garcia. Deseja ver o marido ascender socialmente e se incomoda com o comportamento do filho Yuri (Adriano Alves), que só fala com os pais via mensagem de celular e pratica Cosplay,  incorporando personagens reais ou da ficção, como artistas e heróis de histórias em quadrinhos.

Junqueira (João Camargo) Marido de Heleninha (Totia Meireles), é tranquilo, busca ter paz em casa. Também se incomoda com o comportamento estranho do filho Yuri (Adriano Alves).

Yuri (Adriano Alves) Neto de Garcia (Othon Bastos) e filho de Junqueira (João Camargo) e Heleninha (Totia Meireles). Vive um conflito de gerações com os pais. Se comunica basicamente via mensagem de celular e pratica Cosplay,  incorporando os mais variados personagens.

Família de Dantas

Dantas (Edson Celulari) Trabalha na C.Garcia e busca reconhecimento por tantos anos de dedicação à empresa. É pai de Cibele (Bruna Linzmeyer) e namora Shirley (Michelle Martins).

Cibele (Bruna Linzmeyer) Filha de Dantas, implica com a namorada jovem do pai, Shirley (Michelle Martins). É noiva de Ruy (Fiuk) e sonha com o casamento perfeito. Irá se decepcionar profundamente quando descobrir que o noivo se envolveu com Ritinha (Isis Valverde).

Shirley (Michelle Martins) Namorada de Dantas (Edson Celulari), deseja ascender socialmente. Tenta se dar bem com Cibele (Bruna Linzmeyer), em vão.

Outros personagens

Irene (Débora Falabella) Arquiteta e amiga de Silvana (Lilia Cabral). É uma mulher desprovida de caráter, manipuladora, sedutora e envolvente, que fará de tudo para conquistar Eugênio (Dan Stulbach).

Nonato (Silvero Pereira) Motorista de Eurico (Humberto Martins), veio do interior do Ceará com o objetivo de tentar a vida artística no Rio de Janeiro. Fica muito amigo do patrão, que nem desconfia de sua vida dupla.

Marilda (Dandara Mariana) – Melhor amiga de Ritinha (Isis Valverde) no Pará. Estará sempre visitando a família de Zeca (Marco Pigossi) depois que se mudam para Niterói.

Abigail (Mariana Xavier) Secretária da empresa C.Garcia. É uma representante do orgulho plus size, muito bem resolvida com sua aparência. Está sempre atenta a tudo ao seu redor e é amiga de Tatu (Bruno Barbosa).

Tatu (Bruno Barbosa) Boy da empresa C.Garcia, adora conversar com Abigalil (Mariana Xavier) sobre a vida dos funcionários da empresa.

Leila (Lucy Ramos) Namorada de Caio (Rodrigo Lombardi) depois que ele volta para o Brasil. Dedicada ao relacionamento, se incomoda ao perceber que ele não está na mesma sintonia.

Amaro (Pedro Nercessian) Amigo de Ruy (Fiuk), está sempre por perto para ajudá-lo e apoiá-lo no que for preciso.

Anita (Lua Blanco) Namorada de Amaro (Pedro Nercessian), é a melhor amiga de Cibele (Bruna Linzmeyer) e quem estará ao seu lado quando descobrir a traição de Ruy (Fiuk).

Claudio (Gabriel Stauffer) Apaixonado por Ivana (Carol Duarte), tenta a todo custo namorá-la e não entende seus dilemas existenciais.

Allan (Raul Gazolla) Treinador de Jeiza (Paolla Oliveira) no MMA. É sério, correto e linha dura.

Cirilo (Gustavo Machado) Amigo de Caio (Rodrigo Machado), é quem o recebe quando ele volta da longa temporada nos Estados Unidos.

Janete (Eline Porto) – Moradora de Parazinho. Gosta de Zeca (Marco Pigossi) e, por isso, está sempre implicando com Ritinha (Isis Valverde).

Francineide (Laize Câmara) – Mora em Belém, onde trabalha como sereia em um aquário. Apresenta o universo do sereísmo para a amiga Ritinha (Isis Valverde).

Vitor (Alejandro Claveaux ) – Namorado de Jeiza (Paolla Oliveira) no começo da história.

About Dina Barile

Recebi o título de Doutora em Viajologia, depois de viajar por 127 países e pisar em todos os continentes. Sou a primeira e única mulher brasileira a ter estado na ESTRATOSFERA. Experimentei a Culinária de todos os países por onde passei. Expert nos temas Turismo, Gastronomia e Beleza, convido todos os leitores para um Passeio Turístico e Gastronômico por todos os Continentes.

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