Viagens de final e início de ano evidenciam o protagonismo dos longevos nas novas tendências do setor
Com as férias e a chegada do início de ano, aumenta a movimentação de pessoas que já começam a planejar viagens. Entre eles, o público 60+ se destaca como um dos grupos que mais cresce no turismo. Com maior estabilidade financeira, autonomia e interesse por experiências personalizadas, os longevos estão moldando um novo perfil de consumidor e impulsionando transformações no mercado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a população mundial com 60 anos ou mais ultrapassará 1,4 bilhão em 2030 e chegará a 2,1 bilhões até 2050. No Brasil, o IBGE estima que, em 2050, 29,3% da população será formada por idosos, alcançando 66,5 milhões de pessoas. Segundo o Ministério do Turismo, os idosos já representam cerca de 15% dos turistas domésticos e 10% dos viajantes internacionais do país.
“O viajante maduro busca conforto, segurança e autenticidade. Ele quer aproveitar a vida com qualidade e valoriza serviços que entendam suas necessidades reais”, afirma Dra. Polianna Souza, médica geriatra e cofundadora do canal Longidade. Segundo ela, esse público passou a exercer uma influência direta no posicionamento de agências, hotéis, marcas e programas do governo, que têm ampliado ofertas específicas para atender essa demanda.
O governo de São Paulo, por exemplo, lançou em dezembro o programa Turismo 60+, iniciativa que promove a inclusão social de pessoas acima de 60 anos ao oferecer oportunidades de viagens gratuitas para esse público conhecer novos destinos e atrativos paulistas.
Para Jotta Junior, especialista em neurocomunicação e também cofundador do Longidade, os longevos estão mais ativos, conectados e preparados para explorar o mundo. “A nova geração 60+ envelhece de forma diferente. Eles querem conhecer culturas, degustar boa gastronomia e viver experiências exclusivas, mas com atenção à qualidade, à saúde e ao bem-estar.
Entre as tendências que também atraem esse público estão viagens slow travel, ou seja, viagens que têm como objetivo desacelerar, respirar profundamente e se reconectar com o prazer de estar em outro lugar sem pressa; roteiros gastronômicos; destinos voltados à natureza; hotéis com infraestrutura de bem-estar; e experiências culturais personalizadas. Serviços como acompanhamento especializado, facilidade de locomoção, suporte ao viajante e programação adaptada também têm sido cada vez mais solicitados.
Agências, ações e marcas de turismo já começam a se ajustar para atender esse viajante maduro. A personalização, que vai do roteiro à alimentação, aparece como principal diferencial competitivo. Outro ponto relevante nesse setor é a confiança: empresas com atendimento humanizado e comunicação clara tendem a conquistar mais rapidamente esse consumidor.
“O turismo é uma das formas mais ricas de promover saúde emocional e sociabilidade na longevidade. Viajar amplia repertórios, fortalece vínculos e reduz sentimentos de isolamento, que ainda afetam muitas pessoas após os 60 anos”, reforça médica geriatra Dra. Polianna.
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